13.11.18

POUR LE PLAISIR DES YEUX | ANA VIDIGAL | GALERIA ESPACIO MINIMO, MADRID | NOTA DE PRENSA

ANA VIDIGAL - Todas las pequenas perras de mi vida. 2018

ANA VIDIGAL


Pour le plaisir des yeux


In the distance.

Do not insist. Someone in the distance is killing the dream.
Someone breaks the heart of time.
Someone there in the distance ends with himself.
                                                                     Piedad Bonnet
Espacio Minimo gallery presents the second solo exhibition in its space by the Portuguese artist ANA VIDIGAL, entitled Pour le plaisir des yeux and in which the Time and Memory, as in her previous project, are still the recurring themes in all the works that compose it but in this occasion are works on paper (paintings and collages) with different formats in their totality.
For years, ANA VIDIGAL has collected all kinds of elements for her works’ execution, especially two-dimensional materials founded that can be kept flat within a painted surface, especially paper. Cutting out papers, written, painted, drawn or printed, assembling different pieces, letters, images and photographs builds her treasures as precious memory containers. The interests of the artist about all this conglomeration of things, is not only the formal aspect, carefully thought out and carefully executed, but the story that those materials contain, that makes it more intimate. This is which ANA VIDIGAL maximizes in her Works. In all of them, the things she wants to say always plays a role as seductive as what is silent, in which everything she reveals as well as she hides, is so important. But always, in all the works of this exhibition, ANA VIDIGAL is talking about time. In her own words:
It is always time.
The time that today is so different for us from the other in which we grew up and lived.
It is the change of that "time", of the loss of what we considered acquired and that they want to take away from us.
It is about what we keep losing or, keeping, we forget ("Todas las pequeñas perras de mi vida", for example) or the atrocious resemblance of the American’s magazines images from World War II with the images of the America of today.
The retreat of time and the struggle to try to make it stop ("Tanto fijé mis ojos") as in Kavafis’ verses.
It is still the political time that we thought happy and carefree, that plagues us like a cloud of black graphite with ghosts of the past.
It is life like it appears, almost out of breath and transforming the word Amor (Love) into anagram "Roma" (“Rome”), the old and decadent one.

And then "El gusto de los otros” (“The taste of the others").
A seventies album with images of museums’ works around the world, chosen by someone who did not know and ended up despised on a street market.
How will end the time of love if we are not careful.

ANA VIDIGAL (Lisbon, 1960) where she lives and works. Was graduated in painting from the Superior School of Fine Arts of Lisbon in 1984. In 1999 she won the Maluda Prize and in 2003 the Amadeo de Souza Cardozo Prize. In 2010, the Modern Art Center of the Calouste Gulbenkian Foundation, curated by Isabel Carlos, organizes her first anthological exhibition entitled: Ana Vidigal. Clean girl, dirty girl. She has exhibited regularly since 1981. Some of her most recent exhibitions have been, in 2015 Guarda (me) at the Municipal Theater of Guarda, Guarda; Amuse - Bouche, Galería Diferencia, of Lisbon; in 2014 Jugular, Camões Luanda Institute, Angola; Oú va t'on ?, Sala del Venado, National Museum of Natural History and Science, Lisbon; We are unbearable, so unbearable, Nogueira da Silva Museum, Braga; First or last (strictly personal) Baginski Gallery Projects, Lisbon; in 2013 Jua (de vivir) Fundación Júlio Resende, Oporto; in 2012 House of Secrets, Centenary of the Higher Technical Institute, Lisbon; in 2011 Queen Anne Style, Baginski Gallery / Projects, Lisbon and The brain is deeper than the sea, Museu do Chiado, Lisbon. In October 2018, at the invitation of the Embassy of Portugal in Colombia, she holds two Master Classes in Bogotá (Universidad de los Andes and ars + natura flora)

Her work is represented in important public and private collections such as the Metropolitan Museum of Lisbon, Collection of the Secretary of State for Culture of Portugal, MUDAS Museum of Contemporary Art of Madeira, the Bank of Portugal, Deutche Bank Collection, Gulbenkien Museum, Contemporary Art Museum (Chiado) Camões Institute Angola, Berardo Collection, CAMB, Manuel de Brito Collection, among others.



29.10.18

"MAYO DEL 68: MEMORIAS Y ENSAMBLAJES" | CHARLA DE ARTISTA | ANA VIDIGAL | UNIVERSIDAD DE LOS ANGELES





UNIVERSIDAD DE LOS ANDES | SITE SPECIFIC ANA VIDIGAL | até 10 de Novembro 2018

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La Artista Ana Vidigal tendrá una exposición hasta el 10 de noviembre en la Universidad de los Andes, una adaptación de la obra creada inicialmente para la exposición "O que pode a Arte", realizada en el Atelier-Museu Júlio Pomar en Lisboa, y que tiene como punto de partida los cincuenta años de Mayo del 68 y una serie de obras de Júlio Pomar hechas en esa misma época.

21.10.18

Bogotá Clipping


Ana Vidigal cria mural e dá conferências na Feira de Arte Contemporânea de Bogotá

LUSA-INBOX


A artista plástica portuguesa Ana Vidigal vai proferir duas conferências na 14.ª edição da Feira Internacional de Arte Contemporânea de Bogotá -- ARTBo, que decorre a partir de quinta-feira, na capital da Colômbia.

De acordo com a organização, as conferências vão decorrer no âmbito do programa paralelo da feira, na Fundação Flora Ars+Natura e na Universidade dos Andes, para a qual a artista foi convidada a executar um mural.
Fundada em 2004, e organizada anualmente pela Câmara de Comércio de Bogotá, a ARTBo tem vindo a afirmar-se como um centro de intercâmbio e promoção da cena artística colombiana.
Ana Vidigal, que em 2014 teve trabalhos seus expostos na ArtBo, apresenta-se pela primeira vez para fazer conferências, e instalará na Universidade dos Andes a obra "Très vite dans ma vie il a été trop tard #2".
Esta obra foi criada originalmente para a exposição "O que pode a Arte", realizada este ano no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, tendo como ponto de partida os 50 anos do Maio de 68, e uma série de obras de Júlio Pomar feitas nessa mesma época.
Como Ana Vidigal não viveu o Maio de 68 e não podendo, por isso, usar a sua experiência pessoal para a reflexão, resolveu pegar num elemento formal que, na época, teve grande impacto: o cartaz político.
O cartaz político foi, na época, fundamental como forma de expressão e protesto, e muitos foram feitos por artistas, com frases que ainda hoje lembram a época.
"Tendo consciência de que o Maio de 68 não foi um único movimento (sendo o estudantil o mais mediático), mas sim o resultado de uma profunda crise económica e de direitos, peguei num livro de propaganda, chinês, original e escrito em francês (porém feito na China), que era usado para propaganda e [para] arregimentar, desde muito novas, as crianças para a revolução chinesa", explica a artista num texto sobre o trabalho.
Ainda segundo a artista, o seu trabalho "é, pois, também uma crítica a essa mesma propaganda, de uma utopia que hoje em dia se sabe não ter funcionado".
"Alienei a escala do livro infantil, ficando cada página com a dimensão de cartaz. Ao colá-los uns por cima dos outros, relembro também a imagem formal de paredes portuguesas depois da revolução de 74, onde partidos políticos ainda defendiam utopias que se sabia serem uma fraude", considera.
Através dos seus trabalhos em colagem, pintura, montagem e instalação, Ana Vidigal, nascida em Lisboa, em 1960, fala sobre o tempo e sobre a memória.
                             

1.9.18

MEMÓRIAS FAMILIARES E MEMÓRIAS PÚBLICAS: CAMPOS DE BATALHA, por Roberto Vecchi

MEMÓRIAS FAMILIARES
MEMÓRIAS PÚBLICAS:
CAMPOS DE BATALHA

Roberto Vecchi



A literatura – e a literatura portuguesa não é uma exceção – abre fendas profundas dentro de mundos insondáveis como o das memórias e das relações de família. Um dos arquivos mais complexos é constituído pela resistente e escorregadia memória familiar. É como um antídoto à perda total do passado. O que se guarda no espaço íntimo e privado são imagens efetivas ou simbólicas de vivências pessoais, de experiências agradáveis ou dolorosas. A sua evocação remete sempre para a relação discursiva e vivencial, afetiva e familiar entre gerações, guardada e alimentada na esfera doméstica onde os gestos, os afetos, os símbolos, são até mais importantes do que a ordem e o fundamento do discurso.

Como já a filosofia antiga tinha percebido, o domínio da casa é separado do domínio da cidade e da comunidade. É por isso que, perante passados incertos e desbotados, numa fase crítica para as testemunhas como a atual – que constituem um grupo sempre mais exíguo e destinado mais cedo ou mais tarde  a apagar-se – é importante refletir sobre os modos em que a memória individual ou familiar se pode converter numa memória coletiva e pública. Como se a casa pudesse, em suma, abrir-se para a cidade, transcendendo os seus limites privados.

A despersonalização do passado – numa época de subjetivização máxima e macroscópica da experiência, como a atual onde a relação direta com o passado é garantida pelo papel da testemunha ocular – é a premissa da sua possível inscrição dentro de um registo coletivo mais amplo, rumo à construção de uma visão do passado menos singular e mais comum. O problema de facto é como penetrar no emaranhado sensível feito de subjetividades, afetos, gestos, conflitos que caraterizam as relações familiares. A importância deste lugar opaco da casa é fundamental porque é nele que ocorre uma significativa transferência, voluntária e involuntária, de memória pessoal e, de transmissão de recordações individuais que se abrem para uma fruição mais ampla.

Também é preciso constatar que esta transmissão não é documental  e objetiva. Confunde-se com elementos e interferências externos oriundos de outras fontes, outras versões, outras imagens, que  exercem uma pressão externa – é o papel dos mídia – e contribuem para alterar e plasmar imagens porosas em que os elementos mediados das vivências diretas, confessadas no espaço familiar, se confundem com a imaginação e o senso comum.

Uma definição imediata de arte ajuda a compreender uma conexão profunda que se pode instaurar com a “arte da memória” familiar: a arte é o território onde a esfera  íntima do pessoal e do privado se torna possibilidade de fruição por parte dos outros através da obra como facto esteticamente constituído. Na obra de arte, o que ocorre é a transmissão de um conteúdo pessoal ou íntimo ou até inconfessado e a sua receção cria um canal inesperado – estético mais do que comunicativo – impessoal. Um filósofo, Jacques Rancière, ao definir as relações entre política e estética, elabora o conceito de “partilha do sensível” como uma combinação que une e separa partes singulares e exclusivas e um comum que se partilha.

Esta definição esclarece o funcionamento da arte sobretudo em função de um duplo regime, o privado e singular e a sua combinação com o público da partilha. Observar-se-á que a literatura funciona por analogia: converte sistematicamente o privado em público. A escrita é a epiderme que põe em contacto estreito os sentimentos privados com a partilha mais aberta através da leitura.

Para afirmar uma generalidade óbvia, o arquivo da literatura portuguesa transborda de exemplos que mostram a tradução das memórias familiares em facto público possível e portanto acessível. Ficamos aqui com dois casos gravados na memória do século XX português. O primeiro é uma crónica de António Lobo Antunes, “078902630H+” doTerceiro Livro de Crónicas. A cena primária do trauma da guerra colonial vista e testemunhada prorrompe como um jorro excessivo de imagens: “a literatura que se foda”. Só no desfecho, com o desafio lançado – “Completem esta crónica, vocês, os que cá ficam 078902630H+. Filha” – é que se abre o espaço para a transmissão da memória que é partilha e herança e, ao exibir a sua cortante oclusão, se transmite entregando a tarefa para a geração seguinte.

Um romance que mostra a complexidade da exposição da memória familiar é Deixem falar as pedras, de David Machado. Três gerações confrontam-se e produzem cada uma a sua memória em conflito. Um avô preso pela PIDE e que sofreu as violências da história atormentada de Portugal no século XX deixa uma memória que o neto procura assumir, meio século depois. Em jogo, um amor perdido mas nunca esquecido, uma verdade que sempre escapa e não se fixa. As versões que se confrontam sobre o passado, inclusive dentro da própria família, divergem e não se recompõem. São desencontros que a narrativa consegue mostrar e acabam por se converter num objeto de reflexão sobre as perdas e as deformações do passado. As cicatrizes do avô, a testemunha (“Tu não viste as cicatrizes? Claro que vi as cicatrizes. E então? Vais dizer que também não são verdade?”), mostram rastos do corpo cuja decifração é problemática. Ou afetivamente mediada. No entanto, é a literatura que proporciona uma partilha de elementos próprios que nos aproxima de um passado impróprio, de outro modo em risco de extinção. Pela escrita a sua memória  pode-se tornar legível e aberta também a nós, leitores e estranhos, garantindo alguma transmissão mesmo que problemática, parcial e subjetiva: “Por agora esta é a minha história”.


 
Roberto Vecchi é professor catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira e diretor do Departamento de Línguas Literatura e Culturas Modernas da Universidade de Bolonha. Entre as obras mais recentes, com Vincenzo Russo, La letteratura portoghese. I testi e le idee (2017).

6.7.18

ARTE SANTANDER 2018 | Galeria Espacio Minimo | Ana Vidigal | Solo Project

ANA VIDIGAL
Pandora 2014
Técnica Mixta / Collage
222 x 300 x 33 CM


ANA VIDIGAL con el proyecto Memoria

ANA VIDIGAL (Lisboa, 1960) habla, a través de sus obras en collage, pintura, ensamblaje e instalación, acerca del tiempo, de la memoria. Los utiliza como procesos de descontextualización y reconfiguración de imágenes retiradas de diversas fuentes, explorando los valores sociales, políticos, e incluso de memorias que ellos transportan.
 El proyecto para ARTE SANTANDER 2018 estará compuesto por una selección de obras que abordan éstas ideas.
 La instalación Pandora (2014) es una pieza confeccionada a través de revistas rescatadas Art Forum de los años 80, que la envuelve por completo, dejando, a modo de homenaje, visible el nombre de algunos artistas contemporáneos. Estas obras que se hacen de “retazos”, son fragmentos de cuadernos, revistas, y documentación recogidas por la artista durante años, pedazos que cataloga, que arregla en cajas con frases informativas escritas en la tapa que alertan de su interior, y que pueden o no ser abiertas en un futuro próximo. La elección es sólo de cada uno. La elección puede ser la de cambiar el interior de alguna de esas cajas a otras cajas, partes integrantes de un extenso archivo vertical con paredes hechas de revistas de arte.
Del mismo modo, las pequeñas obras de la serie Mentirillas (2016), utilizan imágenes y textos encontrados, casi como objetos olvidados que modifica y recrea destapando únicamente aquellas partes que más la interesan, y creando una historia nueva a través de ellos. Una vez más, leer lo que está escrito en cada uno de ellos es importante. Hay un juego irónico entre la parte formal y la leyenda. Siempre es un juego… entre lo que nos cuenta la historia, lo que la artista dice y lo que vendrá a contar el espectador sobre lo que vio.