15.2.12

"Zé Carioca"@Hostal Zamora

Stand Baginski Galeria/Projectos | Montagem (terminada) dia 2

2º dia montagem stand Baginski Galeria Projectos | de cima para baixo
Ana Vidigal | André Romão| Fernanda Fragateiro
Jorge Catarino
Fernanda Fragateiro e Jorge Catarino
Geral Stand Baginski (montagem)
Fotografias (pormenor) de Andre Romão
Ana Vidigal e André Romão 

10.2.12

ARCO'12 | Madrid


O trabalho que Ana Vidigal apresenta nesta edição do ARCO 2012 é o resultado de uma pesquisa efectuada pela artista para o tema “Provisions to the Future” ( projecto elaborado para a Bienal de Sharjah 2009) e que a artista tem vindo a desenvolver posteriormente.



Especificamente, Vidigal recolhe imagem nas mais diversas situações, em jornais que lê, em revistas de salas de espera de consultórios, em bandas desenhadas dos anos 40 herdadas de familiares ou em livros infantis que as sobrinhas já não querem. Vidigal aproveita assim o “resto” dos outros e guarda-o como “provisão” para o seu trabalho futuro.

Em todos estes casos Vidigal não procura as imagens. Elas vão surgindo no quotidiano da artista, que se identifica com elas em primeiro lugar pelo aspecto formal. Essa recolha é, como já foi dito, desprendida de qualquer significado emocional. A artista, como uma respigadora, vai armazenando essas imagens ficando elas guardadas dentro de caixas durante muito tempo.



No trabalho apresentado, um tríptico de grandes dimensões é bem patente esse método de trabalho. Partido de uma imagem rectangular de diminutas dimensões, Vidigal retira-o do seu contexto de revista cor -de- rosa (elementos da baixa cultura que Vidigal sempre gostou de “elevar” para outro patamar) e da secção “descubra as diferenças”, digitaliza-o e imprime-o sem qualquer alteração formal, em grandes dimensões.

É só depois de alienada a escala que Vidigal intervém. Com subtis colagens e delicada intervenção pictórica. Só visto de perto nos apercebemos dessa intervenção. É esse o jogo. Descobrir o que é verdadeiro ou do que é falso (da imagem original). A escolha dos títulos é neste projecto (e especificamente neste trabalho) fundamental. É através dos títulos (também eles respigados) que Vidigal nos insere no “seu” tempo actual.

Não sendo um trabalho rigorosamente autobiográfico, Vidigal diz sempre que trabalha sobre o Tempo, ele remete a curiosidade do espectador através de todos estes processos para a história que a artista nos quer contar (ou ficcionar sobre o “seu” tempo)

E este é o tempo de “Melancolia, the baffled women”

Apresenta também obras da Serie: "À Cautela"






8.2.12

Madalena segurando "Marie"


"Marie"
Fotografia digital
Prova única
da serie: Conheço o "Amor de Ouvir Falar"
Concento dos Capuchos
2005
(thanks MADALENA)

6.2.12

(alliance)

"Il y a deux filles en moi " | (ou mesmo três...)

VIP Art Fair

VIP 2.0

ARCO'12 | Flyer



O trabalho que Ana Vidigal apresenta nesta edição do ARCO 2012 é o resultado de uma pesquisa efectuada pela artista para o tema “Provisions to the Future” (projecto elaborado para a Bienal de Sharjah 2009) e que a artista tem vindo a desenvolver posteriormente. 
Especificamente, Vidigal recolhe imagem nas mais diversas situações, em jornais que lê, em revistas de salas de espera de consultórios, em bandas desenhadas dos anos 40 herdadas de familiares ou em livros infantis que as sobrinhas já não querem. Vidigal aproveita assim o “resto” dos outros e guarda-o como “provisão” para o seu trabalho futuro.
Em todos estes casos Vidigal não procura as imagens. Elas vão surgindo no quotidiano da artista, que se identifica com elas em primeiro lugar pelo aspecto formal. Essa recolha é, como já foi dito, desprendida de qualquer significado emocional. A artista, como uma respigadora, vai armazenando essas imagens ficando elas guardadas dentro de caixas durante muito tempo.


No trabalho apresentado, um tríptico de grandes dimensões é bem patente esse método de trabalho. Partido de uma imagem rectangular de diminutas dimensões, Vidigal retira-o do seu contexto de revista cor -de- rosa (elementos da baixa cultura que Vidigal sempre gostou de “elevar” para outro patamar) e da secção “descubra as diferenças”, digitaliza-o e imprime-o sem qualquer alteração formal, em grandes dimensões.
É só depois de alienada a escala que Vidigal intervém. Com subtis colagens e delicada intervenção pictórica. Só visto de perto nos apercebemos dessa intervenção. É esse o jogo. Descobrir o que é verdadeiro ou do que é falso (da imagem original). A escolha dos títulos é neste projecto (e especificamente neste trabalho) fundamental. É através dos títulos (também eles respigados) que Vidigal nos insere no “seu” tempo actual.
Não sendo um trabalho rigorosamente autobiográfico, Vidigal diz sempre que trabalha sobre o Tempo, ele remete a curiosidade do espectador através de todos estes processos para a história que a artista nos quer contar (ou ficcionar sobre o “seu” tempo)
E este é o “Tempo” de “Melancolia, the baffled women”

1.2.12

Ana Vidigal | Eugénia Vasconcellos

Com quem fala Ana Vidi­gal nas notas quase de rodapé das suas telas, letras uma a uma ris­ca­das por den­tro da régua, a caneta, a bis­turi quando cor­tam, e quando colam, a quê?, fir­mes e cer­tas como um passo, mar­cham, a quem grita enor­mes letras ao cen­tro do cen­tro de gra­vi­dade alte­rado pelo peso pin­tado das pala­vras, para quem a som­bra que assoma em voz de minús­cu­las, qual lápis fino, quase fumo, num título, às vezes penso com quem anda­rás a dor­mir. Fala com ela mesma. Con­sigo. Comigo. Fala com todos os que alguma vez se per­gun­ta­ram: com quem anda­rás a dor­mir. E com aquele tu de carne ou fic­ção que dorme saberá deus com que con­creto ou incon­creto quem – ainda que a auto­bi­o­gra­fia, se a hou­vesse, não fosse mais do que o ponto de par­tida, mito­lo­gia pes­soal, pois à che­gada, na peça que criou, esta­mos todos. A Ana Vidi­gal tem a Ana Vidi­gal por inter­lo­cu­tor. E tem por inter­lo­cu­to­res que não lhe falam, nós con­nosco. Mais: ela con­nosco. E de some­nos: eu contigo.

Sim. Se uma pes­soa fosse um número, a Ana Vidi­gal seria um 2, nem que fosse o do eu ao espe­lho. Quer dizer, ela ao espe­lho. Nós em diá­logo nem que seja monó­logo. Inte­gra­dor? Menina Limpa Menina Suja na anto­lo­gia onde mais se viu o fun­da­men­tal rodo­pio do tempo, tempo maiús­culo, tempo capi­tal. Tempo: o ontem é o hoje pro­ces­sado em busca do ontem? Que ontem? Que hoje? Ou será em busca do futuro? Iro­nia colo­rida a kitsch, poe­sia dese­nhada a pop? A pin­tura tam­bém tem humor – e humores

O ontem da casa, lugar da famí­lia, lugar de mulher, o do homem é o tra­ba­lho, ontem do quê e de quem, afi­nal? Quando, como come­ça­mos a ser, onde? Ontem, sem­pre ontem, com os nos­sos pais, na famí­lia, na casa. As casi­nhas. O que é um pre­sé­pio, quem vive no pre­sé­pio das casi­nhas de pre­sé­pio? A repre­sen­ta­ção do espaço íntimo, é um espaço social, no rodo­pio do tempo. É. E a mãe, o pai, são o homem e a mulher. São. E a casa e o ate­lier, dois mun­dos. 2. E assim, do eu para o tu que somos nós, onde o pas­sado infan­til con­verge com o adulto do pre­sente que o aborda, a Ana Vidi­gal tran­sita do indi­ví­duo que é para a artista que é – casa e ate­lier. E per­gun­tando ao ontem que fomos, linda, linda Anita, linda a cozi­nha de Anita, per­feita dona de casa, ima­cu­lado aven­tal sobre o ves­tido, lin­dos de se come­rem com os olhos os dese­nhos lin­dos como cere­jas, um atrás do outro, per­gunta quem pode­mos ser hoje, ama­nhã. Quem, quando as regras forem o desuso das regras de hoje como as de hoje são a liber­dade das de ontem?
.
Pen­sando nisto, for­mal­mente, tal­vez não, não seja inte­gra­dor o monólogo-diálogo. Ou tal­vez sim. Inclino-me para o não. Empa­re­lhado – afi­nal, até os modos de ser na arte são 2, e não é por­que já se apro­xi­mam, têm vindo a apro­xi­mar, que são um. E, tam­bém, a reso­lu­ção não com­bina com a cri­a­ção da Ana Vidi­gal por­que é uma forma de esco­a­mento, tende para o fim e para morte, resulta, nela, e ape­nas, na con­clu­são do objecto, ou dum con­junto de objec­tos, exaus­tos de exaus­ti­vos, telas, uma outra outra, a reor­ga­ni­za­ção da orga­ni­za­ção da desor­dem, cor­tes sobre recor­tes, cola cola cola até ao limite do ver­niz, sim­ples­mente maria, sim­ples­mente verso, sim­ples­mente pala­vra recor­tada, reconto de um conto mil vezes con­tado, o único que inte­ressa ouvir. Cor­tar é sepa­rar: dis­tân­cia. Colar é jun­tar: pro­xi­mi­dade. 2. E outra vez. De outra maneira: quan­tos babe­tes ali­nha­dos, ani­nha­das no peito quan­tas bati­das do cora­ção, o que é um pai, quem é um pai na ausên­cia, todos os pais se fazem pais no regresso, Ulis­ses, quando os filhos na praia se fazem Telé­maco e os cha­mam, vol­tam. Pené­lope espera. Mas é o filho quem chama. E só assim regressa Ulis­ses. Outra vez a ordem sobre o caos em cada roseta de car­tas fecha­das em enve­lo­pes envol­tos em plás­tico, rose­tas liga­das por agra­fos, fecha­das por agra­fos, nada se solta, a col­cha cobre a cama tal como as pala­vras cobrem, ves­tem a ausên­cia e a nudez tão nua, dois cor­pos que não se encon­tram ainda assim se cor­res­pon­dem: res­pon­dem um ao outro. By Air Mail. Par Avion. O céu é cor de enve­lope e o amor tam­bém. Como se arruma a dis­tân­cia se não for pelo quo­ti­di­ano? Não, Tha­na­tos não domina. Serve a Eros. E ao con­flito. Reco­lhe. Junta. Orga­niza. Espera. Corta. Dese­nha. Risca. Pinta. Recorta. Cola. Escreve. Enverniza.

Nem na opres­são da fita cola, não sei, celo­fane, tenso, tão tenso e não rasga, nem é ras­gado, os pelu­ches não têm unhas, de tanta maci­eza, não têm, de não terem, podiam sufo­car, que perigo: há don­ze­las fecha­das em cas­te­los de lã. Há hor­ro­res ali, se qui­ser­mos, fábri­cas de abu­sa­do­res trans­pa­ren­tes, fábri­cas de víti­mas ten­ras. Sim, é isso, tudo 2. Bem, quase tudo: o pro­cesso cri­a­tivo é um.

E as coi­sas. Só as coi­sas — pala­vra bela e boa. Coi­si­nhas tam­bém. Uma das melho­res para Agos­ti­nho da Silva. Pes­soa gos­tava muito. Outros. É tal­vez uma das minhas pala­vras pre­fe­ri­das. Calha mesmo bem: a Ana Vidi­gal faz coi­sas, e entre as minhas pre­fe­ri­das, uns cora­ções de ex votos, de cera, coi­sas, lá está, de quem pede pela vida e lha dão e sina­liza a dádiva a cera de obri­gada: car­re­ga­dos de tachas e são luz que nos ilu­mina de feli­ci­dade, des­pi­dos e são nada de tão sós, à varanda numa janela de insó­nias são música de vento, ves­ti­dos de preto, tanta saudade.

 Digo o mais que falta, quase tudo, nou­tro dia.

Para sempre | Coisas que se escodem num guarda - jóias

Obrigada Eugénia